Procura-se Tradutor Java!

Uma pessoa normalmente compra produtos de um determinado fornecedor por que este conseguiu lhe proporcionar uma série de experiências positivas. Não significa que não possa ter ocorrido experiências negativas, mas existiram mais experiências positivas do que negativas, quando você como provedor de algum produto proporciona muitas experiências positivas a um cliente o mesmo pode ser tornar um Evangelista. Esse termo é muito comum em Java, ou seja, não é algo exclusivo de Marketing.

Quando estamos desenvolvendo um projeto as coisas não são muito diferentes, se encararmos que não apenas os usuários do software são clientes mas como o time de desenvolvimento de facto é também. Em um projeto de software sempre existem interesses em jogo. Esses interesses podem ser dos mais variados como por exemplo: Os desenvolvedores querem utilizar o framework Spring com LDAP por exemplo, o projetista deseja projetar classes para não só resolver os problemas do negócio mas como melhorar a solução através de Patterns, o gerente deseja realizar uma gestão por liderança ou invés do modelo de chefia.

Mas muitas vezes esses interesses entram em conflito, é difícil agradar a todos sempre! Muitas vezes temos que nos contentar com o mínimo ou até mesmo menos que isso. Alguns gerentes vendo esta dificuldade eminente fazem um trabalho de gestão de expectativas. Dentre todos os riscos que existem em um projeto e as dificuldades técnicas, considero que as questões de cunho humanitários são as mais complexas de se lidar.



A desmotivação

Essa pode vir de muitas fontes. Dizem alguns psicólogos que a motivação deve vir da pessoa não da empresa, outros já tem outra opinião como "A motivação vem da pessoa mas tem que vir da empresa também". Eu acredito que a medida não é algo do tipo 50% para cada, acredito que as cosias variam. Vão existir momentos em que você deve se motivar, mesmo sem a empresa proporcionar o mínimo de motivação para você. Já em outras ela deve lhe proporcionar os desafios para que você seja motivado.

Dinheiro não gera motivação

Todos gostamos de ganhar um aumento, porem o dinheiro só motiva até que chegue o próximo salário ou a próxima nota fiscal, depois essa motivação acaba! O Dinheiro não motiva ninguém, para mim o que motiva os profissionais de TI são os desafios. Precisamos de desafios, é isso que nos matem contentes e com vontade de continuar trabalhando em um determinado lugar.

Os desafios podem ser muitos e dos mais variados. Pode ser utilizar um novo método de estimativas, pode ser em entregar o software em prazo, em melhorar as habilidades com casos de uso. Até mesmo em usar uma metodologia como RUP ou Scrum.

Muitos profissionais ficam frustrados em entrar em projetos sem organização, sem processo, sem arquitetura. Mas isso não é o maior fator de desmotivação, o maior fator é ver isso acontecer e saber que você não pode fazer nada.

De facto a motivação não pode ser imposta

Mas é possível gerar desafios para que as pessoas se motivem com os mesmos. Infelizmente eu já me vi nesta posição, em apenas trabalhar por uma necessidade para a sobrevivência, por que já não tinha nenhuma satisfação em estar trabalhando. Essa ainda é a realidade de muitas pessoas, muitas vezes as empresas não estão abertas o suficiente ou não estão preparadas o suficiente para lidar com essa questão.

Normalmente tomam o caminho mais curto, a medida mais rápida, a demissão ou enceramento de contrato! Todos temos a necessidade de fazer algo importante, nem que isso signifique apenas desenvolver código que funciona!

Um bom retrato de todas essas questões é o filme Office Space de 1999.

Capa do Filme

Esse filme é ótimo! Retrata cotidiano de uma empresa que desenvolve software, onde acredito que muitos profissionais de TI vão se enxergar nesse filme. O personagem principal é o Peter que é um programador que tem nada mais nada menos que "8 gerentes" que não fazem nada.

Além do mais o seu trabalho é corrigir o Bug do milênio, ficar vasculhando programas a procura de trechos de código que usam 2 dígitos para datas e trocar para 4. O trabalho de Peter se assemelha muito a o de Tradutor Java.

Tradutor Java

Seria muito mais fácil se algumas empresas colocassem isso nos anúncios de empregos ao invés de programador ou desenvolvedor Java. Por que? Porque na verdade existem "projetos" em que a empresa não quer que você pense, quer que você apenas traduza o que eles estão lhe dizendo para Java.

Ser um programador é pensar, é propor soluções. Não apenas traduzir especificações para código Java, não tenho nada contra especificações, sou a favor do uso de casos de uso. Porem a questão é que não podemos matar a criatividade das pessoas.

Peter poderia ser considerado um tradutor, no filme eles não programam em Java, mas ele se encaixa nos requisitos. Quando se trabalha como tradutor não é necessários pensar ou colaborar, apenas executar.

Voltando ao Filme

O filme mostra muitas coisas que acontecem em um setor de TI. A desmotivação é um dos temas principais do filme. No filme vemos um empresa de TI que tem chefes que não fazem nada a não ser relatórios de status que não servem para nada. Não vou contar mais detalhes do filme por que talvez vocês queiram assisti-lo.

Uma pessoa motivada trabalha muito melhor e fica no seu emprego, uma desmotivada ou começa a saboreá o projeto ou sai do mesmo ou simplesmente trabalha apenas para fechar o número de horas diárias necessárias.

O pior é que muitas vezes nos demotivamos apenas por que queremos fazer o melhor, desejamos o melhor para empresa ou para o projeto. Já cansei de ver amigos deixando a TI por conta de Stress ou desmotivação, as vezes um leva ao outro.

Não é por acaso que a TI é a área mais estressada de todas! Mais do que os médicos ou engenheiros, talvez por que estamos sempre estudando e querem o melhor.

Como diz um colega amigo meu as vezes a ignorância é uma benção.

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